Rosângela Marques é mãe de primeira viagem. Sua filha, Raíza está com 2 anos e não dorme sem sua chupeta. A mãe tenta de todas as formas tirar este hábito, mas é só Raíza ver que a mãe quer tirar sua “amiga” que começa o choro.- Durante o dia ela até fica sem a chupeta, o problema é na hora de dormir. Já tentei de todas as maneiras tirar dela, mas não me saí bem em nenhuma das tentativas.Rosângela não é a única mãe com esse tipo de problema. A maioria das mães enfrenta esta situação com seus filhos pequenos. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Pediatria atesta que 30 segundos de chupeta na boca reduzem a um quinto o choro e à metade a agitação dos bebês. No entanto a pesquisa diz que o uso muito prolongado pode significar que a criança está enfrentando algum tipo de dificuldade de relacionamento.
Segundo o neuropsiquiatra Alfredo Neto, há crianças que, com o tempo largam naturalmente ou nem chegam a usá-la. Outras, porém, entram os anos de chupeta na boca. E ai de quem tentar tirá-la.- Muitas trocam a chupeta pelo dedo. O que os pais devem saber é que a sucção é uma importa nte função motora da boca e é natural a criança lançar mão da chupeta ou do dedo nos primeiros anos.Olinda pedreira, psicóloga do Centro de Estudos da Infância diz que, no início da vida, o foco da criança é a boca, por meio da qual o bebê sente prazer. É a fase da oralidade e a chupeta (ou dedo) funciona como um substituto do seio materno. Ela tem um efeito calmante e consolador.
A pesquisa diz ainda que para alguns especialistas, a utilização da chupeta não deve ultrapassar os 2 anos. Para outros é tolerável até os 4. Todos concordam, porém, que chupar o dedo ou a chupeta por muito tempo é sinal de algum problema familiar ou de ansiedade. O nascimento de um irmão, por exemplo, pode desencadear um certo nervosismo na criança, que pode voltar a usar a que já havia largado.- A retirada da chupeta deve ocorrer aos poucos e com bom senso. Do contrário, poderão surgir distúrbios como alteração no sono, na alimentação e na sociabilidade. Mas não deve ultrapassar os 2 anos, já que, segundo alguns dentistas o uso prolongado pode causar problemas ortodônticos, na formação do palato e até na fala – afirma o pediatra Luis Nigri.Usar o imaginário infantil pode ajudar nestas horas complicadas. Vanessa Ornellas, administradora de uma creche, diz que, em muitas escolinhas, o Natal é aproveitado como uma data símbolo, momento em que a criança promete ao Papai Noel entregar a chupeta.
- Muitas conseguem cumprir a promessa, mas se não conseguirem, é bom não forçar. Quando a criança começa a largar a chupeta em qualquer lugar para brincar ou fazer outras atividades, é a melhor hora. O contato com outras crianças também é fundamental, pois quando ela percebe que os amiguinhos não usam mais, geralmente faz o mesmo. Este é o caso do pequeno Gabriel. Com apenas 3 anos ele, que não largava a chupeta para nada, deu o objeto para o Papai Noel e nunca mais quis saber dela.
- Passamos muito tempo tentando fazê-lo deixar a chupeta de lado até que tivemos a idéia do natal. Como ele “deu” de presente para o Papai Noel, não aceita chupeta nem de se derem de presente – conta Nádia Boyer, mãe de Gabriel.
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