Foi-se o tempo em que os homens eram os únicos que mandavam nas famílias no Brasil. Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, uma em cada quatro famílias brasileiras é chefiada por mulheres. Um crescimento de 50% em relação ao ano de 1981, quando apenas 16% das famílias eram matriarcais. De acordo com a pesquisa, das dez milhões de famílias comandadas por mulheres, 4,5milhões estão na região sudeste e 2,9 milhões são nordestinas.O IBGE dividiu a renda dessas famílias em quatro grupos: as que ganham acima de dois salários(36,5%), as que ganham entre um e dois salários, as que recebem até um salário mínimo e as que sobrevivem com até meio salário mínimo. Este é o caso de Josefa Alves, 50 anos e mãe de oito filhos. Ela sustenta a casa com os R$ 80 que ganha por mês do Governo Federal no programa de combate à seca em Juá, distrito de Caruaru. “Meu marido foi para o Sudeste procurar trabalho há dois anos e nunca mais voltou. Se não for eu a arranjar o que dar de comer a meus filhos, ninguém faz isso por mim” conta, Josefa.
No Nordeste, 46% das mulheres chefes de família recebem até meio salário mínimo e 74,8% ganham até um salário e nos lugares mais pobres dessa região. A maioria das famílias é chefiada por mulheres que geralmente costuram, lavam roupas, ensinam ou sustentam suas famílias com salários do programa de Frentes Produtivas, criado pelo Governo Federal para combater os efeitos da seca.
Segundo Ana Lúcia Saboya, responsável pela pesquisa sobre Trabalho e Rendimento do IBGE, no Nordeste, boa parte das famílias depende do trabalho feminino para sobreviver, e geralmente esse rendimento é inferior a um salário mínimo. Ela acrescenta que no Sudeste, apesar do grande número de famílias vivendo com até um salário, um fator que conta para o crescimento de lares matriarcais é a mudança no comportamento geral da mulher na sociedade. “Na classe média do Sudeste, há o perfil a mulher independente, que se afirmou profissionalmente e sustenta a casa. No Nordeste, a carência é mesmo o maior motivo para as mulheres estarem à frente do sustento da família” afirma Ana Lúcia.

A advogada Orvinda Barrosa, 45 anos, é uma dessas mulheres que trabalham para sustentar a casa. Divorciada há 17 anos, ela responde pelo conforto do lar e pela formação do filho Daniel, de 19 anos, a quem acaba de dar um apartamento. Trabalhando na Agência Especial de Financiamento Industrial, uma subsidiária do BNDES. Na gerência, são quatro advogadas, uma secretária e uma estagiária. “As mulheres são mais dedicadas e organizadas que os homens.
Além disso, se cobram mais. Por isso têm obtido tanto sucesso”.
Essa é a prova de que as mulheres estão cada vez mais em busca de seu lugar e querendo vencer os preconceitos que possam surgir.
Essa é a prova de que as mulheres estão cada vez mais em busca de seu lugar e querendo vencer os preconceitos que possam surgir.
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