quarta-feira, 30 de abril de 2008

A curiosidade que faz vender

Você pode até dizer que não, mas, certamente, algum dia ao passar por uma banca de jornal, seus olhos viraram-se para a capa de uma revista que tenha a foto de alguma celebridade. Essa incessante curiosidade do público aumenta a cada dia a venda de revistas no estilo de “Caras”, “Quem”, e “Contigo”, que possuem inúmeros leitores por todos os estados do Brasil.
“Leio toda semana pelo menos uma delas. É bom ter um pouco de diversão e var a vida dos famosos nessas fotos. Outro dia vi a Camila Pitanga com um vestido lindo”, diz a dona de casa Zuleica Reis de 53 anos.

Elas ocupam hoje parte do lugar das tradicionais e disputadas colunas sociais que exibiam fotos de atrizes, atores, cantores e socialites, das quais uma delas é presença garantida. Narcisa Tamborindeguy é uma das maiores socialite do Brasil e tem sua opinião sobre as celebridades.“Acho que as celebridades são pessoas maravilhosas, famosas e têm uma representação sobrenatural na vida dos outros que as apreciam. Todo mundo é um pouquinho fútil”, conta Narcisa. Ela diz também que nunca teve problemas com fotos publicadas em jornais e revistas e, que ao ver sua primeira foto publicada ficou muito feliz e comprou vários exemplares e colou nas paredes de casa para todos os seus amigos verem.

As revistas de celebridades são adoradas por uns e odiadas por outros que as consideram fúteis e vazias. Esta opinião é confirmada por João Carlos Vidal, 34 anos, professor de História que tem uma opinião extremamente radical a respeito de revistas deste segmento.

“Não gosto deste tipo de revistas, afinal, a realidade do país não permite viagens de navio ou férias em ilhas paradisíacas. Na verdade, acho que estes veículos não deveriam nem existir, são uma porcaria”, diz o professor. Quem compartilha em parte desse pensamento, é o jornaleiro Marco Antônio Pizzini de 44 anos. Para ele, este tipo de publicação é vazia e não acrescenta em nada.

“Não leio porque não fazem parte do meu interesse cultural. Vendo bastante estas revistas, na realidade, as que saem mais são as versões mais baratas das mais famosas. Sempre tem alguém que reclama do preço alto da revista, pega para ler e fica horas falando das pessoas que saem nas fotos”, conta.

Para rebater esse tipo de críticas, o editor da revista Caras, Cláudio Uchôa, diz que essa é uma revista voltada para o lado das celebridades, estão suas matérias e suas fotos serão voltadas para essa área.

“Se temos um público que lê a revista, vamos fazer um produto para eles. Nosso segmento é um, e não caberia à Caras, discutir Foucault ou comentar sobre o último livro do Luiz Fernando Veríssimo, aliás, o Veríssimo disse que adora a Caras e ele é uma pessoa que se vê normalmente nos cadernos de cultura. Mostramos o que as celebridades fazem quando não estão no seu ambiente de trabalho”, conta Uchôa.

Aversões à parte, o espetáculo de corpos esculturais das modelos e de festas luxuosas dão segundo a professora Clarissa Maia, 35 anos, um pouco de ilusão e sonhos para o povo. “Saem tantas notícias ruins nos jornais e nas revistas que a gente procura um pouco de diversão e alguma coisa que seja mais tranqüila”, diz.

Outra que é fã de revistas de celebridades é Mariana Scianca, 33 anos. A argentina que mora no Brasil há cinco anos, conta que em sua terra natal, são inúmeras as revistas que falam dos famosos. “Além dos artistas de Hollywood, elas trazem os atores e atrizes das novelas brasileiras. São muito boas, leio a Caras e a ¡Holla!, são ótimas para matar as saudades de casa. Adoro quando meu marido, Hugo traz um exemplar quando volta de lá”, diz.

Circulando no Brasil há 13 anos, a Caras é uma das maiores revistas desta área e é considerada a maior coluna social do país. Suas páginas são extremamente disputadas por aqueles que querem um minuto de fama. De acordo com o IVC (Instituto Verificador de Circulação), em janeiro de 2005 foram calculados 217.700 exemplares vendidos e no mesmo mês do ano passado foram 298.249.

“Nas nossas publicações saem fotos de pessoas que por algum motivo estão em foco, fazendo sucesso. Vendemos em grande quantidade e em vários países, pois fazemos uma revista com um perfil definido, bem feita e com um estilo inovador”, afirma o editor que trabalha há oito anos na revista. Ele lembra também de uma frase de Millôr Fernandes que disse certa vez que ‘a Caras é a revista que faz a melhor sociologia’ pois nela são permitidas várias leituras.

Fútil, boba, interessante ou maravilhosa, a lista de defeitos e qualidades que são atribuídos para esses veículos são notáveis. Mas não há como negar que, com elas, uma importante área de mercado foi aberta especialmente para os fotógrafos. Depois da Revista Manchete, que trazia as notícias da televisão e os bastidores do carnaval, Caras, Quem, Flash, Contigo, se tornaram órgãos de imprensa com uma corta relevância e influência sobre o público que as lê.

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