- Fiquei quase quatro horas nas mãos deles. Me mandaram dirigir por quase toda a cidade com uma arma apontada pra mim, saímos do Leblon e eles só me liberaram quase no Recreio dos Bandeirantes levando meu dinheiro e o meu relógio.Quem não possui esses mecanismos de segurança, se protege como pode. A publicitária Alzira Araújo de 44 anos, diz que sempre presta muita atenção em quem está por perto nas ruas onde anda e reza sempre antes de sair de casa além de andar com um terço na bolsa. Ficar atento em tudo o que se passa por perto é fundamental.
O estudante Victor Luiz Queiróz conta que é importante saber quem está perto de você.- Além de poder fugir de um assaltante, às vezes podemos até ajudar alguém a não ser assaltado. Também nunca ando sozinho em ruas muito vazias, muito menos à noite.Com tanta violência rondando a Cidade Maravilhosa, algumas pessoas tiveram que mudar seus trajetos para o trabalho e seus hábitos noturnos. É o caso de Andréa da Costa soares, 25 anos, nutricionista. Ela
diz que não pega qualquer táxi na rua à noite.
diz que não pega qualquer táxi na rua à noite.- Ando sempre com cartões de cooperativas de táxi na bolsa e mesmo assim só logo para os que conheço – conta Andréa afirmando que só sai em grupo e que depois de um certo horário evita caminhos que passem pela linha amarela ou pela Avenida Brasil.Outro modo de se proteger da insegurança é o monitoramento que muitas mães e pais utilizam, com o celular.
Cada vez mais zelosos com seus filhos, muitas vezes o alto custo dos aparelhos nem sempre importa, o importante é saber que os filhos estão bem.
- Tenho três filhos e os dois mais velhos têm cada um o seu celular. O mais novo só tem 1 ano e 6 meses e está sempre comigo, por isso não tem – relata Sandra Miranda, lembrando que pagou cerca de R$ 400 em cada aparelho e que não se arrepende disso.Muitas pessoas como Sandra, Andréa, Reginaldo, Victor e Alzira estão aprendendo a sobreviver no Rio de Janeiro.
Comerciantes que fecham suas lojas e bares às 22h, porteiros que fazem cursos de segurança, o crescimento de portas giratórias em bancos e de cercas eletrificadas nos edifícios, são sinais de que o carioca está buscando saídas para tentar uma vida normal em meio ao caos que se instalou na cidade.
Segundo o Centro de Estudos de Segurança e Cidadania, de 1998 a 2003 o número de assaltos cresceu 113%, sendo mais freqüentes nos bairros de Acari, Irajá, Pavuna Vila Cosmos, Rocha Miranda, Cascadura, Honório Gurgel, Vicente de Carvalho e Marechal Hermes. Em segundo lugar estão os bairros da Zona Sul e a região de Campo Grande.Uma as vítimas da violência do Rio de Janeiro, que se tornou um símbolo da luta contra a impunidade, foi a estudante Gabriela Prado Maia Ribeiro.
A jovem de apenas 14 anos teve a vida interrompida por uma bala perdida durante um assalto à estação do metrô São Francisco Xavier, na Tijuca. Sua mãe nunca havia deixado Gabriela sair sozinha com medo da violência, mas no dia 25/03/2003, Cleide e Carlos perdiam sua filha e iniciavam uma luta que duraria muito tempo contra o crime no Rio.Em recente entrevista à revista Época, o secretário Nacional de Segurança Pública, Luiz Eduardo Soares, diz que os criminosos são cada vez mais cruéis e mais jovens. Segundo ele, esses jovens são de uma geração que cresceu e aprendeu a ser violenta.
A maior arma que a população possui para denunciar e ajudar a prender os criminosos que nos apavoram é o disque-denúncia que completou 11 anos com mais de 1 milhão de ligações que fizeram com que a polícia pudesse libertar seqüestrados, atuando inclusive em outros estados.O serviço do disque-denúncia funciona 24h por dia no telefone 22531177 e serve para denunciar todo o tipo de crime, desde assaltos com moto, “modalidade” que atinge em sua maioria mulheres até seqüestros e ações mais perigosas. Cláudio Menezes, 45 anos é uma das vítimas se sequestro que foi solto graças a uma ligação anônima no disque-denúncia.

-Foram os piores 20 dias da minha vida. Fiquei rancado em um quarto muito pequeno e no dia que estava quase entrando em pânico total, ouvi uma movimentação estranha e escutei uns gritos do lado de fora, quando vi era a polícia qu fez um trabalho brilhante para me libertar. Esses profissionais são muito mal valorizados e merecem muito mais do que o salário que ganham- conta o administrador de empresas que dá um aviso a todos.
- Tenham muito cuidado com quem conversam e nunca fale de sua vida pessoal, nem dê detalhes de sua vida a estranhos. Depois que você passa por uma situação como essas passa a desconfiar até de sua própria sombra, é horrível.
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