quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Sexo frágil? Nem pensar!

As academias de ginástica são freqüentadas por quem deseja melhor condicionamento físico e ganho de massa muscular. Mas, aulas de lutas e artes marciais entraram na disputa. A maior procura é do sexo feminino, principalmente, nas aulas de Muay Thai. O que mais atrai é o "fitness”, com 1 hora de exercício se perde até 800 calorias.

Conhecido como Boxe Tailandês, o Muay Thai é uma arte marcial que busca a confiança, o auto conhecimento e a disciplina, tendo golpes fortes, socos e chutes rápidos. O aluno disposto a aprender tem que equilibrar três pontos essenciais: manter, forçar e aliviar.

Déborah Cal diz que sempre gostou do Muay Thai. “As aulas são boas porque trabalha ao mesmo tempo braços e pernas e melhora a coordenação motora. Quando eu comecei meus pais tinham um pouco de preconceito, mas até meu namorado faz, e já se acostumaram”, conta.

Fernando Lion é professor de uma academia na Tijuca e diz que podem iniciar às aulas todas as pessoas a partir dos oito anos de idade. Aos 30, é solicitado um exame cardiovascular devido ao intenso trabalho aeróbico.

Melissa Lima pratica há oito meses e diz que se interessou por causa da agilidade da luta. “Vi uma aula e adorei. É muito dinâmica e trabalha o corpo todo. Os alunos têm muito respeito um pelo outro”, conclui.

Sem descer do salto

As mulheres do Muay Thai continuam sendo femininas. Maíra Castro tem 35 anos e luta há cinco. Ela conta que foi a uma loja e pensaram que os equipamentos eram para o seu marido. “Pedi a caneleira, o protetor de boca e a bandagem. Quando disse que queria uma luva cor-de-rosa e que tudo aquilo era para mim, não acreditaram. Disse que nem só de balé vivem as mulheres, e sei de meninas que lutam melhor do que homens”, fala Maíra dando um recado aos preconceituosos.

Victor Araújo admira. Com 17 anos está começando a lutar e acha fundamental a aula de defesa pessoal para as mulheres: “O mundo lá fora não está nada fácil. Quem pensa que elas não conseguem, precisa ver as meninas daqui. Elas não estão de bobeira não", finaliza.

sábado, 30 de agosto de 2008

Entrevista com Renata Boldrini


Sua chance de trabalhar na televisão foi se candidatando à uma vaga que procurava um homem. Neta do dono das quatro salas de cinema da cidade de Santo Ângelo no Rio Grande do Sul, Renata Boldrini é hoje uma das jornalistas que mais entende de cinema no Brasil. Fã de Woody Allen, Quentin Tarantino e Martin Scorcese, a jornalista que apresenta o Cine WTN, fala um pouco sobre sua carreira.

O que fez você gostar de cinema?
Comecei a trabalhar nessa área por acaso. Vi um anúncio que procurava apresentadores para a Globosat e mandei uma fita minha, mas eles estavam à procura de um homem para o cargo, mas como eles não encontraram, fiz o teste e comecei a trabalhar com cinema. Ainda na faculdade gostava desse ramo e sempre buscava fazer aulas eletivas que falassem de cinema.

O primeiro festival que você cobriu foi Gramado, até hoje mudou muita coisa entre os concorrentes ao prêmio?
Mudou bastante, tem anos que o festival está mais aquecido, com produções mais interessantes, com grandes diretores ou estreantes, depende do que está se fazendo no cinema naquele ano. Esse ano foi muito bom, com grandes produções, filmes que vão ganhar destaque, esse ano foi muito produtivo.

Você trabalharia diretamente em um filme, atuando, dirigindo ou até mesmo dublando?
Se fosse fazer algo direto em cinema faria um documentário. Já me chamaram para ser atriz, mas acho que seria muito canastrona, essa não é a minha praia. A única coisa seria um documentário, mas sem nenhuma pretensão, só para criar uma história mesmo.

Há diferença em trabalhar na TV “convencional” e na Web TV?
O mecanismo é basicamente o mesmo, nós gravamos em estúdio a logística é a mesma para os dois, a pauta e a edição. A maior diferença é o alcance, a internet é vista por muitos jovens e temos que ter uma linguagem mais rápida, dinâmica. Mas produções para a internet são muito bem feitas e bem cuidadas assim como as para TV.

Em sua opinião o que é um bom filme?
É aquele que te prende. Mas o que é bom para mim, pode não ser para outra pessoa, depende do que a pessoa vive, o que toca mais cada um. Tem que tentar mostrar uma boa história, ter um bom diretor, boa fotografia. Um movimento de câmera tem que ter um propósito, se você começa a ver a história e fica reparando em detalhes técnicos é porque o filme não é bom. Vai de cada um.

Recentemente foi lançado “Encarnação do demônio” do Zé do Caixão. Se investissem em terror no Brasil, daria certo ou não se adaptaria?
O público gosta, os que lançam desse gênero sempre fazem sucesso, principalmente com os jovens. Os que viram adoraram o filme do Zé do Caixão faz isso há muito tempo. Não é muito comum aqui no Brasil, não é muito o estilo de quem faz cinema por aqui.

Ainda hoje há gente que não assiste cinema nacional. O que faria o público voltar a assistir os filmes brasileiros?
O cinema brasileiro mudou muito, há um interesse. O que acontece é que como o preço ainda é caro, quem só pode pagar uma sessão no mês vai optar por ver o filme que faz mais sucesso e que todos comentam. Com um cinema mais barato teríamos salas mais cheias e os jovens se interessariam mais.

Como os estrangeiros recebem os filmes e os atores brasileiros?
Eles adoram. O referencial mudou, não é mais caipirinha, Pelé, Ronaldo. Agora eles falam de “City Of God”, falam de Walter Salles. O cinema brasileiro é muito bem visto, eles conhecem e gostam da nossa cinematografia. Acho que nós fazemos bonito lá fora.

Existe algum país que faça bons filmes, mas que não são muito conhecidos?
Aqui no Brasil não damos muito destaque para filmes que não sejam americanos e dá a impressão de que os outros países não fazem bons filmes, os Iranianos são bons, os Indianos fazem filmes em grande quantidade o que acontece é que não recebemos o cinema deles.

Qual a sua opinião sobre as séries de TV que se tornam filmes?
Não acompanho muito, mas o cinema se nutre de todas as fontes, literatura, arte, vídeo games, teatro e agora nas séries. Se tiver uma oportunidade de fazer uma boa história o cinema leva para as telas. Acho bacana, se rende uma boa história vale.

O que podemos esperar de novidades entre atores ou filmes?

Tem “Ensaio sobre a cegueira” do Fernando Meirelles. Em gramado tivemos “Juventude” sobre a velhice com juventude, é muito bom. E “A festa da menina morta” que traz Matheus Nachtergale estreando como diretor e com muita segurança. Ele ganhou prêmios em Gramado e começou fazendo cinema de verdade, o trabalho dele foi ótimo. É ótimo ver novos talentos dispontando e mostrando que sabem fazer cinema.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Em busca do ângulo perfeito

Telejornais são apresentados, geralmente, por jornalistas de grande importância na emissora em que trabalham. No entanto, muita gente se prende à figura dos profissionais que aparecem na TV, e se esquece que a transmissão só acontece porque existe um profissional que pega pesado. Pesado de verdade, afinal, a câmera que eles utilizam tem cerca de 4 kg. Ainda assim, nem sempre esses profissionais ganham o crédito que merecem.
Os cinegrafistas têm a responsabilidade de criar uma linguagem com as imagens, e é graças a eles que a TV é como é. Júlio César é um novato no ramo, mas já conhece bem as dificuldades da profissão. Há apenas quatro meses trabalhando em uma emissora no Rio de Janeiro, iniciou seu trabalho como auxiliar de câmera e iluminação, e diz que já passou por alguns apuros que marcaram o início de carreira. “Estava cobrindo uma operação policial na Vila Cruzeiro quando começou um tiroteio. Joguei meu corpo no chão e vi um caveirão passar bem perto de mim. Tive que ter cuidado para não danificar a câmera”, lembra.
Outra situação que faz o cinegrafista ter muito cuidado e atenção é quando aparecem os chamados “papagaios de pirata”. “Eles querem aparecer de qualquer maneira, não importa o lugar nem o que esteja acontecendo. Já vi um deles em velórios, em áreas em que a imprensa não tem acesso. Até caixão eles carregam”, conta Júlio César.
Mais experiente na área, Alberto Ramiro começou em outra emissora onde ficou por 12 anos. Trabalhando com TV há 20, ele afirma que integração com a equipe é fundamental. “Um bom trabalho pede respeito entre repórter e cinegrafista. Não adianta cada um ir para um lado, assim a matéria não sai como deve sair”, afirma.Ele diz que durante o trabalho de editor, aprendeu a ter uma atenção especial nas imagens que os outros cinegrafistas traziam, e quando pegou a câmera, ficou mais fácil para fazer as angulações corretas. ”Eu já sabia o que deveria levar para a edição, como teria que ficar. Imagens tremidas, sem foco ou com muita luz, eu não fazia”, diz Alberto.
Uma das cenas que mais marcou o trabalho do cinegrafista foi na época do julgamento de Paula Tomaz, envolvida no assassinato da atriz Daniela Perez, em 1993. Enquanto editava uma matéria sobre o crime, viu que a mãe de Daniela entrava no tribunal olhando fixamente para a acusada. ”Não tinha como aquela imagem ficar de fora da matéria, era muito forte. Editamos novamente com um texto que caberia para cobrir a cena, e ela foi ao ar para todo o país”. Atualmente,
Alberto trabalha como cinegrafista na área de TV de uma universidade carioca, e diz que os iniciantes no curso chegam querendo ficar famosos. “Quando vamos editar uma matéria com os alunos, eles ficam mais preocupados com a aparência do que com o conteúdo. Às vezes, falam o texto errado, mas o que chama a atenção deles é o cabelo que não ficou bom, ou a roupa nova que tinha que mostrar. Não é assim que funciona”, critica.

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Todo poder às mulheres

Foi-se o tempo em que os homens eram os únicos que mandavam nas famílias no Brasil. Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, uma em cada quatro famílias brasileiras é chefiada por mulheres. Um crescimento de 50% em relação ao ano de 1981, quando apenas 16% das famílias eram matriarcais. De acordo com a pesquisa, das dez milhões de famílias comandadas por mulheres, 4,5milhões estão na região sudeste e 2,9 milhões são nordestinas.

O IBGE dividiu a renda dessas famílias em quatro grupos: as que ganham acima de dois salários(36,5%), as que ganham entre um e dois salários, as que recebem até um salário mínimo e as que sobrevivem com até meio salário mínimo. Este é o caso de Josefa Alves, 50 anos e mãe de oito filhos. Ela sustenta a casa com os R$ 80 que ganha por mês do Governo Federal no programa de combate à seca em Juá, distrito de Caruaru. “Meu marido foi para o Sudeste procurar trabalho há dois anos e nunca mais voltou. Se não for eu a arranjar o que dar de comer a meus filhos, ninguém faz isso por mim” conta, Josefa.

No Nordeste, 46% das mulheres chefes de família recebem até meio salário mínimo e 74,8% ganham até um salário e nos lugares mais pobres dessa região. A maioria das famílias é chefiada por mulheres que geralmente costuram, lavam roupas, ensinam ou sustentam suas famílias com salários do programa de Frentes Produtivas, criado pelo Governo Federal para combater os efeitos da seca.

Segundo Ana Lúcia Saboya, responsável pela pesquisa sobre Trabalho e Rendimento do IBGE, no Nordeste, boa parte das famílias depende do trabalho feminino para sobreviver, e geralmente esse rendimento é inferior a um salário mínimo. Ela acrescenta que no Sudeste, apesar do grande número de famílias vivendo com até um salário, um fator que conta para o crescimento de lares matriarcais é a mudança no comportamento geral da mulher na sociedade. “Na classe média do Sudeste, há o perfil a mulher independente, que se afirmou profissionalmente e sustenta a casa. No Nordeste, a carência é mesmo o maior motivo para as mulheres estarem à frente do sustento da família” afirma Ana Lúcia.


A advogada Orvinda Barrosa, 45 anos, é uma dessas mulheres que trabalham para sustentar a casa. Divorciada há 17 anos, ela responde pelo conforto do lar e pela formação do filho Daniel, de 19 anos, a quem acaba de dar um apartamento. Trabalhando na Agência Especial de Financiamento Industrial, uma subsidiária do BNDES. Na gerência, são quatro advogadas, uma secretária e uma estagiária. “As mulheres são mais dedicadas e organizadas que os homens.

Além disso, se cobram mais. Por isso têm obtido tanto sucesso”.
Essa é a prova de que as mulheres estão cada vez mais em busca de seu lugar e querendo vencer os preconceitos que possam surgir.

Amiga das crianças, problema para os pais

Rosângela Marques é mãe de primeira viagem. Sua filha, Raíza está com 2 anos e não dorme sem sua chupeta. A mãe tenta de todas as formas tirar este hábito, mas é só Raíza ver que a mãe quer tirar sua “amiga” que começa o choro.

- Durante o dia ela até fica sem a chupeta, o problema é na hora de dormir. Já tentei de todas as maneiras tirar dela, mas não me saí bem em nenhuma das tentativas.Rosângela não é a única mãe com esse tipo de problema. A maioria das mães enfrenta esta situação com seus filhos pequenos. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Pediatria atesta que 30 segundos de chupeta na boca reduzem a um quinto o choro e à metade a agitação dos bebês. No entanto a pesquisa diz que o uso muito prolongado pode significar que a criança está enfrentando algum tipo de dificuldade de relacionamento.

Segundo o neuropsiquiatra Alfredo Neto, há crianças que, com o tempo largam naturalmente ou nem chegam a usá-la. Outras, porém, entram os anos de chupeta na boca. E ai de quem tentar tirá-la.- Muitas trocam a chupeta pelo dedo. O que os pais devem saber é que a sucção é uma importa nte função motora da boca e é natural a criança lançar mão da chupeta ou do dedo nos primeiros anos.Olinda pedreira, psicóloga do Centro de Estudos da Infância diz que, no início da vida, o foco da criança é a boca, por meio da qual o bebê sente prazer. É a fase da oralidade e a chupeta (ou dedo) funciona como um substituto do seio materno. Ela tem um efeito calmante e consolador.

A pesquisa diz ainda que para alguns especialistas, a utilização da chupeta não deve ultrapassar os 2 anos. Para outros é tolerável até os 4. Todos concordam, porém, que chupar o dedo ou a chupeta por muito tempo é sinal de algum problema familiar ou de ansiedade. O nascimento de um irmão, por exemplo, pode desencadear um certo nervosismo na criança, que pode voltar a usar a que já havia largado.

- A retirada da chupeta deve ocorrer aos poucos e com bom senso. Do contrário, poderão surgir distúrbios como alteração no sono, na alimentação e na sociabilidade. Mas não deve ultrapassar os 2 anos, já que, segundo alguns dentistas o uso prolongado pode causar problemas ortodônticos, na formação do palato e até na fala – afirma o pediatra Luis Nigri.Usar o imaginário infantil pode ajudar nestas horas complicadas. Vanessa Ornellas, administradora de uma creche, diz que, em muitas escolinhas, o Natal é aproveitado como uma data símbolo, momento em que a criança promete ao Papai Noel entregar a chupeta.

- Muitas conseguem cumprir a promessa, mas se não conseguirem, é bom não forçar. Quando a criança começa a largar a chupeta em qualquer lugar para brincar ou fazer outras atividades, é a melhor hora. O contato com outras crianças também é fundamental, pois quando ela percebe que os amiguinhos não usam mais, geralmente faz o mesmo. Este é o caso do pequeno Gabriel. Com apenas 3 anos ele, que não largava a chupeta para nada, deu o objeto para o Papai Noel e nunca mais quis saber dela.

- Passamos muito tempo tentando fazê-lo deixar a chupeta de lado até que tivemos a idéia do natal. Como ele “deu” de presente para o Papai Noel, não aceita chupeta nem de se derem de presente – conta Nádia Boyer, mãe de Gabriel.

Cariocas dão dicas para "sobreviver" na cidade

Alarmes, circuito interno de vigilância, seguranças particulares e carros blindados. A lista de modos para se proteger da violência e dos perigos da cidade grande parece não acabar, mas nem todos têm condições de pagar tanta coisa para não correr o risco de ser assaltado.Um dos poucos que pode é Reginaldo Teixeira. O empresário de 52 anos mandou blindar seu carro importado após ser vítima de um seqüestro relâmpago.

- Fiquei quase quatro horas nas mãos deles. Me mandaram dirigir por quase toda a cidade com uma arma apontada pra mim, saímos do Leblon e eles só me liberaram quase no Recreio dos Bandeirantes levando meu dinheiro e o meu relógio.Quem não possui esses mecanismos de segurança, se protege como pode. A publicitária Alzira Araújo de 44 anos, diz que sempre presta muita atenção em quem está por perto nas ruas onde anda e reza sempre antes de sair de casa além de andar com um terço na bolsa. Ficar atento em tudo o que se passa por perto é fundamental.

O estudante Victor Luiz Queiróz conta que é importante saber quem está perto de você.- Além de poder fugir de um assaltante, às vezes podemos até ajudar alguém a não ser assaltado. Também nunca ando sozinho em ruas muito vazias, muito menos à noite.Com tanta violência rondando a Cidade Maravilhosa, algumas pessoas tiveram que mudar seus trajetos para o trabalho e seus hábitos noturnos. É o caso de Andréa da Costa soares, 25 anos, nutricionista. Ela diz que não pega qualquer táxi na rua à noite.
- Ando sempre com cartões de cooperativas de táxi na bolsa e mesmo assim só logo para os que conheço – conta Andréa afirmando que só sai em grupo e que depois de um certo horário evita caminhos que passem pela linha amarela ou pela Avenida Brasil.Outro modo de se proteger da insegurança é o monitoramento que muitas mães e pais utilizam, com o celular.

Cada vez mais zelosos com seus filhos, muitas vezes o alto custo dos aparelhos nem sempre importa, o importante é saber que os filhos estão bem.

- Tenho três filhos e os dois mais velhos têm cada um o seu celular. O mais novo só tem 1 ano e 6 meses e está sempre comigo, por isso não tem – relata Sandra Miranda, lembrando que pagou cerca de R$ 400 em cada aparelho e que não se arrepende disso.Muitas pessoas como Sandra, Andréa, Reginaldo, Victor e Alzira estão aprendendo a sobreviver no Rio de Janeiro.

Comerciantes que fecham suas lojas e bares às 22h, porteiros que fazem cursos de segurança, o crescimento de portas giratórias em bancos e de cercas eletrificadas nos edifícios, são sinais de que o carioca está buscando saídas para tentar uma vida normal em meio ao caos que se instalou na cidade.

Segundo o Centro de Estudos de Segurança e Cidadania, de 1998 a 2003 o número de assaltos cresceu 113%, sendo mais freqüentes nos bairros de Acari, Irajá, Pavuna Vila Cosmos, Rocha Miranda, Cascadura, Honório Gurgel, Vicente de Carvalho e Marechal Hermes. Em segundo lugar estão os bairros da Zona Sul e a região de Campo Grande.Uma as vítimas da violência do Rio de Janeiro, que se tornou um símbolo da luta contra a impunidade, foi a estudante Gabriela Prado Maia Ribeiro.

A jovem de apenas 14 anos teve a vida interrompida por uma bala perdida durante um assalto à estação do metrô São Francisco Xavier, na Tijuca. Sua mãe nunca havia deixado Gabriela sair sozinha com medo da violência, mas no dia 25/03/2003, Cleide e Carlos perdiam sua filha e iniciavam uma luta que duraria muito tempo contra o crime no Rio.Em recente entrevista à revista Época, o secretário Nacional de Segurança Pública, Luiz Eduardo Soares, diz que os criminosos são cada vez mais cruéis e mais jovens. Segundo ele, esses jovens são de uma geração que cresceu e aprendeu a ser violenta.

A maior arma que a população possui para denunciar e ajudar a prender os criminosos que nos apavoram é o disque-denúncia que completou 11 anos com mais de 1 milhão de ligações que fizeram com que a polícia pudesse libertar seqüestrados, atuando inclusive em outros estados.O serviço do disque-denúncia funciona 24h por dia no telefone 22531177 e serve para denunciar todo o tipo de crime, desde assaltos com moto, “modalidade” que atinge em sua maioria mulheres até seqüestros e ações mais perigosas. Cláudio Menezes, 45 anos é uma das vítimas se sequestro que foi solto graças a uma ligação anônima no disque-denúncia.

-Foram os piores 20 dias da minha vida. Fiquei rancado em um quarto muito pequeno e no dia que estava quase entrando em pânico total, ouvi uma movimentação estranha e escutei uns gritos do lado de fora, quando vi era a polícia qu fez um trabalho brilhante para me libertar. Esses profissionais são muito mal valorizados e merecem muito mais do que o salário que ganham- conta o administrador de empresas que dá um aviso a todos.


- Tenham muito cuidado com quem conversam e nunca fale de sua vida pessoal, nem dê detalhes de sua vida a estranhos. Depois que você passa por uma situação como essas passa a desconfiar até de sua própria sombra, é horrível.

Rolos e namoros na Universidade

Uma universidade seja ela pública ou particular, é um mundo inteiramente novo. Gente de todas as idades, de lugares diferentes. Essa diversidade de pessoas, muitas vezes preocupa os jovens casais que ficam separados por cursos e por universidades e dá esperança para quem deseja encontrar alguém.O risco de sua namorada ser cantada por um menino e de seu namorado ficar com outra menina existe e foi o medo de que isso acontecesse, que separou o casal Júlia Castro, 20 anos, e Rafael Monteiro, de 22. Ela estuda Letras na UFRJ e ele faz Educação Física na Estácio de Sá.
-Não acho que a faculdade separe algum casal, mas sabendo como o Rafael era antes do namoro, preferi não arriscar, lembra a estudante.A constante presença de várias pessoas no campus estimula as conversas que podem ultrapassar as barreiras da amizade. Uma das horas mais propícias para a paquera é a do intervalo, quando todos se encontram em um mesmo lugar. Esse é o momento em que livros e cadernos dão lugar à arte das cantadas.Carolina Abreu, 21 anos, é estudante de Odontologia e diz que os alunos do curso de comunicação são os mais criativos.

-Um menino me parou no meio da vila, deu dois passos para trás e disse: Estou a dois passos do paraíso. Não tive outra reação a não ser rir. Uma amiga que estava comigo também caiu na gargalhada. No final fiquei com ele, mas nunca mais o vi na faculdade, conta Carolina.Essa mania de cantar as meninas da faculdade é muito grande principalmente entre os calouros.A psicóloga Helena Sodré diz que como tudo é novidade, a vontade de conhecer gente nova é muito grande.-Começar uma fase nova na vida é muito importante para os jovens e o convívio com os colegas novos faz os estudantes quererem ser aceitos em seus grupos, afirma.

A universidade é um lugar tão propício a encontros e desencontros, o mais novo casal da UVA, Juliana Machado e Fernando Portugal, também foi vítima dessa troca de olhares que rola nos corredores da faculdade. Ela tem 20 anos e está no 3º período de Jornalismo e ele, ex-aluno de Jornalismo está atualmente no 2º período de História.

-Nos encontramos pela primeira vez no Centro de Produção. Temos umas amigas em comum que nos apresentaram, começamos a sair juntos e já estamos com quatro meses de namoro, conta Juliana.No mesmo lugar em que Juliana encontrou seu namorado, a aluna de Jornalismo, Lucianna Menegassi, 21 anos, conheceu seu atual “quase namorado” o aluno do mesmo curso que ela, Jefferson Rodrigues de 23 anos.-Eu era estagiária do ‘Movimento em Moda’ quando ele entrou como estagiário do CP. Digo que ele é meu ‘quase namorado’ porque ainda é cedo para algo muito sério, mas estamos indo muito bem, conta Lucianna.Gente se conhecendo, gente se separando. Na faculdade acontece de tudo, inclusive casais que se reencontram no mesmo curso. Foi o que aconteceu com Guilherme Tôrres, 25 anos, e sua ‘antiga – atual’ namorada.

O estudante conta que quando ele e Nathália Costa, 25, tinham 15 anos, eles namoraram por cinco meses, mas se separaram por causa do ciúme que um tinha do outro. Nathália conta que passou anos sem ver Guilherme, teve outro namorado, mas por pouco tempo.-No primeiro dia de aula do curso de engenharia na UFF, o professor estava fazendo a chamada e quando ouvi o nome ‘Guilherme Mello Tôrres’ olhei para todos os meninos, procurando. No final da aula fui falar com ele e há dois anos estamos namorando sério e ele até já fala em casamento, conta.

Com todo esse clima de romance no ar, uma coisa é certa, a confiança que o casal deposita um no outro é essencial para que não haja brigas quando um dos dois vai para a universidade. Para quem quer encontrar um grande amor, a faculdade é um bom lugar e para começar, o vestibular é uma boa pedida.